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Um Tradutor

O que é Libras? Guia Completo sobre a Língua Brasileira de Sinais

Libras é a sigla para Língua Brasileira de Sinais, o idioma oficial utilizado pela comunidade surda no Brasil. Diferente do que muita gente pensa, Libras não é uma versão sinalizada do português. É uma língua própria, com gramática, estrutura e regras independentes, reconhecida oficialmente pelo governo brasileiro desde 2002.

Se você chegou até aqui buscando entender o que é Libras, como ela funciona e por que tem tanta importância social e legal no Brasil, este guia reúne tudo o que você precisa saber.

O que significa a sigla Libras

Libras significa Língua Brasileira de Sinais. É a língua materna da maior parte da comunidade surda brasileira, transmitida de geração em geração e utilizada como principal meio de comunicação por milhões de pessoas surdas em todo o país.

Assim como o português, o inglês ou o espanhol, Libras é uma língua natural, ou seja, surgiu espontaneamente dentro de uma comunidade, evoluiu ao longo do tempo e tem todas as características linguísticas de qualquer outro idioma: vocabulário próprio, regras gramaticais, variações regionais e até gírias.

Libras é diferente do português sinalizado

Um dos maiores equívocos sobre Libras é pensar que ela é apenas o português “traduzido” sinal por sinal, palavra por palavra. Isso não é verdade.

Libras tem uma estrutura gramatical própria, diferente da estrutura do português. A ordem das palavras, a forma de construir negativas, perguntas e frases no passado ou no futuro seguem uma lógica visual-espacial específica da língua de sinais, e não uma tradução literal do português falado.

Por isso, uma pessoa fluente em português não compreende automaticamente Libras, e o contrário também é verdadeiro. São línguas diferentes, com estruturas diferentes, mesmo compartilhando o mesmo território e cultura nacional.

Como funciona a comunicação em Libras

Libras é uma língua visual-espacial e gestual-motora. Isso significa que a comunicação acontece através de elementos que vão muito além do movimento das mãos. Os principais componentes da língua incluem:

Configuração de mãos
O formato que as mãos assumem para representar cada sinal. Pequenas variações na configuração podem mudar completamente o significado de um sinal.

Movimento
A trajetória que as mãos fazem no espaço durante a sinalização. O movimento pode ser repetido, único, circular, linear, entre outras variações.

Ponto de articulação
O local no espaço ou no corpo onde o sinal é realizado. Um mesmo movimento de mão em locais diferentes pode representar sinais completamente distintos.

Expressões faciais e corporais
Fundamentais para a gramática da língua. Expressões faciais em Libras não são apenas emoção, elas carregam informação gramatical, como diferenciar uma afirmação de uma pergunta, ou indicar intensidade e tempo verbal.

Orientação da mão
A direção para onde a palma da mão está voltada durante a execução do sinal, que também pode alterar o significado.

Qual é a origem da Libras

libras

A Libras tem raízes na Língua de Sinais Francesa, trazida ao Brasil no século XIX por Hernest Huet, um educador francês surdo que fundou, em 1857, o Instituto Nacional de Educação de Surdos, no Rio de Janeiro, hoje conhecido como INES.

A partir desse contato inicial, a língua de sinais foi se desenvolvendo de forma própria dentro da comunidade surda brasileira, incorporando elementos culturais e linguísticos nacionais, até se consolidar como a Língua Brasileira de Sinais que conhecemos hoje, distinta da língua de sinais de outros países, incluindo a língua de sinais americana (ASL) ou a língua de sinais portuguesa.

Quando a Libras foi reconhecida oficialmente no Brasil

A Libras foi reconhecida como língua oficial da comunidade surda brasileira pela Lei 10.436, sancionada em 24 de abril de 2002. Essa lei foi um marco histórico, pois validou juridicamente o que a comunidade surda já sabia: que Libras é uma língua completa e legítima, e não um simples conjunto de gestos ou mímica.

Três anos depois, o Decreto 5.626/2005 regulamentou essa lei, detalhando obrigações específicas relacionadas à formação de profissionais, inclusão educacional e garantias de acessibilidade em serviços públicos e privados.

Mais recentemente, a Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015) reforçou e ampliou as garantias de acessibilidade comunicacional para pessoas surdas, em um contexto mais amplo de direitos das pessoas com deficiência.

Quantas pessoas usam Libras no Brasil

Segundo o Censo do IBGE, o Brasil tem mais de 10 milhões de pessoas com algum grau de deficiência auditiva. Desse total, uma parcela significativa utiliza a Libras como língua principal de comunicação, especialmente pessoas que nasceram surdas ou desenvolveram a perda auditiva ainda na infância.

Vale destacar que nem toda pessoa surda usa Libras. Existem pessoas surdas oralizadas, que se comunicam predominantemente por meio da leitura labial e da fala, e pessoas com surdez adquirida na vida adulta, que muitas vezes mantêm o português como primeira língua e aprendem Libras posteriormente, ou não aprendem. Essa diversidade dentro da própria comunidade surda é importante para entender que a acessibilidade não tem uma solução única.

Libras tem variações regionais

Assim como o português falado no Brasil tem diferenças entre regiões, Libras também apresenta variações regionais, conhecidas como variantes linguísticas. Um mesmo conceito pode ser sinalizado de forma um pouco diferente entre estados ou até cidades, da mesma forma que palavras e expressões do português variam entre o sul e o nordeste do país, por exemplo.

Essas variações não impedem a comunicação entre usuários de Libras de diferentes regiões, mas são um indicativo da riqueza e vitalidade da língua como qualquer outro idioma vivo.

Por que Libras é importante para empresas e instituições

Conhecer e respeitar a Libras vai muito além de uma questão cultural. É uma exigência legal e uma prática essencial de inclusão para empresas, instituições de ensino e órgãos públicos.

Empresas que produzem conteúdo acessível em Libras, seja por meio de tradução de vídeos, interpretação em eventos ou treinamento de colaboradores, garantem que pessoas surdas tenham acesso equivalente à informação, à comunicação e a oportunidades de trabalho e consumo.

Além da obrigação legal prevista na Lei Brasileira de Inclusão e no Decreto 5.626/2005, investir em acessibilidade em Libras fortalece a agenda de diversidade e inclusão das empresas, com impacto direto em indicadores sociais de programas ESG.

Como aprender Libras

Para empresas e profissionais interessados em aprender Libras, existem diversos caminhos, desde cursos introdutórios voltados para iniciantes até formações mais avançadas para quem deseja se tornar tradutor ou intérprete profissional.

Um curso introdutório de Libras é uma excelente porta de entrada para profissionais de RH, atendimento ao cliente e lideranças que desejam se comunicar de forma básica com colegas ou clientes surdos, além de fortalecer a cultura de inclusão dentro da empresa.